PREÂMBULO
O mundo actual encontra-se face a imensos desafios para o desenvolvimento sustentável. Apesar dos esforços desenvolvidos no passado e dos significativos progressos em diversas áreas, o progresso tem sido desigual, particularmente em África, nos países menos desenvolvidos, entre eles os mais vulneráveis, e alguns dos objectivos continuam por se realizar, com especial relevância os relacionados com a problemática associada ao desenvolvimento humano e à conservação da natureza e da biodiversidade. Juntamente com as prioridades de desenvolvimento em contínuo, como a erradicação da pobreza, a saúde, a educação e a segurança alimentar e nutricional, é necessário alargar o leque de objectivos económicos, sociais e ambientais numa abordagem integrada que aprofunda interligações e elementos transversais entre os vários objectivos e metas, promovendo assim sociedades mais pacíficas e inclusivas.
Com estas ideias em mente, a presente instituição nasce da necessidade de conceber e implementar em Angola uma entidade detentora de uma visão englobante do país e que, de forma fundamentada e decorrente de estudos e análises de contexto e situação, a par de amplos e profundos conhecimentos das realidades locais, possa promover um abrangente, estruturante e diversificado quadro de actividades de natureza multidisciplinar, interdisciplinar, transdisciplinar, e multissectorial, dirigido ao desenvolvimento sustentável e integrado do país, na esfera de diversas temáticas sectoriais.
Torna-se inevitável implementar transversalmente o princípio da cooperação, dinamizando plataformas de cooperação agregando parceiros e associados, nacionais e estrangeiros, públicos e privados, governamentais e não governamentais, incluindo as organizações internacionais ou multilaterais, as agências nacionais de cooperação e apoio ao desenvolvimento, e as organizações da sociedade civil e do mundo empresarial, visando o alinhamento de orientações estratégicas e programáticas, a dinamização de sinergias, e o planeamento e implementação de projectos. Com particular relevância, reconhece-se a importância de contribuir na fundamentação, elaboração e execução das políticas públicas de desenvolvimento, assim como no acompanhamento, monitorização, avaliação e relato dos correspondentes programas estratégicos, centrais ou sectoriais, entre outras medidas de assistência técnica.
Reconhece-se e promove-se o voluntariado como uma importante dimensão cívica, e dá-se especial atenção à juventude observando que os jovens têm um papel específico na sociedade, enfrentam desafios específicos, e que necessitam de respostas ao seus desafios e aspirações.
A interconexão dos papéis da mulher na família e na sociedade, é fundamental e transformador. Elas são pilares essenciais na sustentação das famílias e as suas contribuições para a sociedade são inestimáveis, desde a gestão do lar até à liderança em vários sectores. A mudança das dinâmicas sociais, a promoção da igualdade de género e o apoio a uma maior participação das mulheres em todas as esferas da vida são cruciais para o desenvolvimento de sociedade mais justas e prósperas. A par disto, a luta das mulheres no continente africano é marcada pela resistência, coragem e determinação em superar barreiras históricas e culturais, conquistando espaços de empoderamento e liderança para transformar as suas realidades e construir um futuro mais justo e igualitário. A dificuldade de ser mulher no continente africano é uma realidade que exige uma abordagem multifacetada e colaborativa para promover mudanças duradouras. A OCDA pretende ter um papel fundamental nestas temáticas, oferecendo suporte directo, capacitação e advogando por reformas estruturais. Ao criarem-se espaços seguros, educativos e económicos para as mulheres, elas podem impulsionar um movimento de transformação que leve à igualdade de género, à justiça social e ao empoderamento real das mulheres.
A instituição constitui-se na forma associativa, tipologicamente definida como organização não governamental para o desenvolvimento, de âmbito internacional, centrando a sua acção em Angola e por tempo indeterminado, aberta ao mundo e às pessoas.Dotada de um modelo organizacional simples e flexível, de base mista, hierárquica e matricial, que promove a interacção entre as suas unidades e subunidades orgânicas, adopta um modelo simplificado de governação, centrado no Conselho Superior e no Director Geral, dirigindo a acção para os resultados, e apoiado por unidades de apoio técnico e administrativo, de desenvolvimento, de aconselhamento, e outros de outra natureza.
A vida da instituição organiza-se em torno dos membros e colaboradores, enriquecida por um ambiente de cultura, de pensamento crítico e de liberdade intelectual e de um compromisso forte com o futuro de Angola e dos angolanos.
O século 21 será absolutamente determinante para se tomarem, com firmeza, coragem e determinação, as grandes decisões que irão definir o futuro próximo da humanidade, e a presente instituição ambiciona ser uma parte activa neste processo, contribuindo, dentro das suas possibilidades, numa agenda dirigida para as pessoas, o planeta, a paz, e a prosperidade.
No espírito dos fundadores, de origem angolana, que conduziu à criação da presente instituição, está a ideia de que, em última análise, o desenvolvimento civilizacional centra-se na pessoa humana, que deve ser protegida e dignificada, e que é, portanto, com as pessoas que se deve colaborar e estimular as vontades e as motivações para que todos possam contribuir no esforço colectivo de transformarmos o mundo para melhor. Neste sentido, a instituição assume uma índole humanística e contribui para a conservação da natureza e da biodiversidade, em benefício das gerações actuais e futuras, juntando-se ao esforço global de zelar pela nossa colectiva casa, o nosso maravilhoso planeta, a Terra.